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Mercado digital do livro em Portugal

  • Foto do escritor: Zestbooks editores
    Zestbooks editores
  • 1 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Apesar de o mercado online de venda de livros ter estado em crescimento contínuo — representando já mais de 15% do total das vendas em número —, continua a não se saber ao certo qual o valor real. A GfK, única empresa em Portugal a recolher estes dados, não contabiliza muitos canais físicos não tradicionais (feiras do livro, eventos, vendas diretas), nem grande parte dos canais digitais, como a Amazon.es, os sites das editoras ou a importação direta feita pelos leitores. Estimo, por isso, que o valor real seja bastante superior aos valores anunciados.

 

Este cenário parece refletir por um lado a fraca penetração do livro digital e do audiolivro em Portugal — hoje os maiores vetores de crescimento global —, cujo espaço natural de compra é precisamente o meio digital. Mas, por outro lado, o que à primeira vista pode parecer um atraso de 3 a 5 anos face ao padrão europeu, pode ser enganador.

Senão vejamos:

  • As métricas de leitura na Europa, incluindo Portugal, mostram que os jovens até 35 anos leem mais regularmente;

  • Entre os 15-24 anos, cresce a leitura digital e a competência para ler em inglês;

  • A maior diversidade de obras em inglês, preços mais baixos, confiança no online e portes gratuitos e next day são fatores competitivos muito fortes;

  • O digital acelera a descoberta: basta ver que a maioria dos livros mencionados pelos Booktokers lusos nem sequer está traduzida;

  • Muitos jovens afirmam mesmo preferir ler em inglês, mesmo quando a tradução existe.

  • E nem falo no público não lusófono presente em Portugal que estará perto de 400.000…

 

Juntando a proficiência em inglês das novas gerações com os principais fatores competitivos do mercado, percebe-se uma tendência: segmentos relevantes do mercado – tanto pelo valor como pelas perspetivas de evolução e futuro – optam cada vez mais pela importação de livros.

 

Nos números “oficiais”, a preferência continua a ser pelas livrarias, em particular pelas cadeias físicas. Mas esses dados refletem sobretudo Lisboa e Porto, ignorando grande parte do país sem livrarias físicas — com exceção da Bertrand. E é revelador que a Bertrand, precisamente pela sua cobertura, tenha sido a rede que mais cresceu nos últimos cinco anos, já com uma quota que rondará os 30% das vendas físicas.

 

Se fizermos modelagem estatística, é provável que o público Bertrand fora do “centro” seja maioritariamente acima dos 35 anos. O que deixa perceber que parte significativa das gerações mais novas opta pelo digital — seja nos canais que contabilizamos (Wook.pt, Bertrand.pt, Fnac.pt) e sabemos estarem a crescer, seja nos que não estão incluídos nas estatísticas disponíveis.

 

Não faço futurologia, mas os números europeus ajudam a inferir: se em França e na Alemanha a importação direta representa 12% a 15% e em Espanha chega aos 25%, em Portugal esse valor deve aproximar-se dos 25-30% das compras online, ou seja, claramente acima dos 20% do total das vendas, com clara tendência para crescer (KDP, digital e áudio).

 
 
 

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